domingo, 30 de setembro de 2018

O Mágico de OZ

Alguns meses atrás,  a professora da Lully propôs um trabalhinho onde os alunos fariam um teatro de fantoches com o tema "O Mágico de Oz". Curiosa como o quê, nossa estimada senhorita já chegou em casa me perguntando o que eu sabia sobre esta obra.


Confesso que, fora o que todo mundo sabe por conhecer os personagens através de inúmeras adaptações e paródias televisivas, eu mesmo desconhecia completamente a obra original.

Ainda estávamos lendo "As Crônicas de Nárnia", mas para manter o interesse da pequena alto no assunto busquei fazer download do clássico filme com Judy Garland (1939) para assistirmos em família.


O filme  foi aprovado, embora a Lully não tenha curtido muito tantas pausas para "a cantoria" (bem, é um musical à moda antiga...).

"Papai, acho que as músicas deviam ser cantadas em português": este foi o outro comentário que minha garotinha expressou. De fato, ler as legendas para entender o sentido das músicas ainda é meio complicado para uma aluna do segundo ano primário.

Como sempre faço, fui pesquisar sobre a obra original (que é de 1901) e seu autor, Lyman Frank Baum. Descobri que "O Mágico de Oz" é considerado o primeiro conto de fadas norte-americano, e que seu autor escreveu ainda mais histórias sobre o país de Oz (as quais ainda não encontrei em português).

Além disso, como Baum faleceu em 1919, sua obra está atualmente em domínio público (isto é, qualquer um pode criar histórias derivadas sem a necessidade de pagamento de direitos autorais).

Enfim, consegui na biblioteca uma cópia do livro (a da Editora Zahar, traduzida por Sérgio Flaskman e contendo ilustrações originais de W. W. Denslow). Começamos a lê-lo no dia  17 de setembro, e a leitura durou nove dias, encerrando-se dia 26  (foram um ou dois capítulos por dia).


Apesar de antigo e aparentemente "bobinho", o livro é interessantíssimo. Levada com casa, cachorro e tudo ao mundo de Oz por um ciclone, a garotinha Dorothy Gale descobre que precisa encontrar o incrível Mágico de Oz para poder voltar para os braços de seus tios no Kansas.

O tal Mágico seria o misterioso governante da reluzente Cidade das Esmeraldas, sendo que a garota precisa percorrer a imensa estrada dos Tijolos Amarelos para chegar até lá.

No caminho, Dorothy encontra três amigos bastante peculiares: um espantalho que almeja ter um cérebro, um lenhador de lata que deseja obter um coração e um leão covarde que anseia por coragem.

Como só o incrível Mágico de Oz poderia ajudá-los a conquistar seus intentos, os três passam a acompanhar Dorothy na viagem, enfrentando muitas aventuras. Mas... peraí!  A grande detetive Lully logo de cara sacou o seguinte:

1) Todas as boas idéias que o grupo põe em prática são planejadas pelo descerebrado espantalho...

2) Ninguém é mais sensível que o romântico lenhador de lata...

3) O covarde Leão enfrenta qualquer perigo para ajudar seus amigos!

Enfim... se em Narnia a mensagem nas entrelinhas é cristã, em "Oz" o lema parece ser: "confie em suas próprias capacidades e no final tudo vai dar certo".

E mais... não quero dar spoilers (se é que isso é possível  em uma história já centenária), mas o fim do livro me pareceu uma metáfora sobre o ceticismo (só lendo mesmo para ver).

Cachorrinho mau... muito mau!

De qualquer forma, a Lully só queria mesmo é curtir a história, longe das minhas divagações pseudo-filosóficas. Por exemplo, me diverti muito com a indignação dela ao ver que Dorothy perde uma carona para o Kansas por culpa de seu cãozinho Totó, que resolveu perseguir um gato na pior hora possível.

"Se eu fosse a Dorothy eu ia matar o Totó!", exclamou ela com os punhos cerrados de raiva. A gente sabe que o livro é bom quando arranca reações assim nas pessoas...

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