Para quem não conhece, "As Crônicas de Nárnia" são 7 livros escritos pelo irlandês Clive Staples Lewis (C. S. Lewis), ambientados no fictício país de Nárnia:
- The Magician's Nephew (O Sobrinho do Mago, 1955)
- The Lion, the Witch and the Wardrobe (O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, 1950)
- The Horse and His Boy (O Cavalo e seu Menino, 1954)
- Prince Caspian (Príncipe Caspian, 1951).
- The Voyage of the Dawn Treader (A Viagem do Peregrino da Alvorada, 1952)
- The Silver Chair (A Cadeira de Prata, 1953)
- The Last Battle (A Última Batalha, 1956)
Nossa leitura: Bem, vamos ao que interessa. Começamos a ler "As Crônicas" nos últimos dias de junho de 2018. A pequena Lully havia assistido trechos de "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa" no Netflix, e estava muito curiosa para saber como continuava a história.
Ela pediu tanto (tanto, tanto, tanto...) que resolvi experimentar a leitura em conjunto, mas confesso que estava com medo que ela não compreendesse a história (que tolinho eu). Reativei meu velho Kindle e começamos por "O Sobrinho do Mago", que cronologicamente é o primeiro livro da saga (embora tenha sido publicado depois).
De início, a Lully estranhou a ausência dos irmãos Pevensie (que havia conhecido pelo filme): os personagens principais dessa primeira história são Digory Kirke e Polly Plummer que, ainda crianças, presenciam a origem de Jadis, a Feiticeira e a criação do mundo onde se passam as histórias da saga (entendam bem, "Nárnia" é só um país dentro deste mundo criado pelo leão Aslam) .
![]() |
| Aslam criou Narnia cantando! |
Uma pausa aqui: na metade desse primeiro livro, acabei adquirindo uma cópia usada da versão impressa do livro, na edição em brochura da Editora Martins Fontes. Gosto muito de ler no Kindle, mas minha filha merece a vivência de tocar, folhear, cheirar as páginas de um bom livro!
Aliás, ela só percebeu a verdadeira dimensão da obra ao ver o livro em versão física. Até então, só havíamos lido juntos livros curtos, que poderiam ser devorados em um ou no máximo dois dias... e As Crônicas formam um calhamaço de 752 páginas.
Terminado "O Sobrinho do Mago", partimos para "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa", um livro bem mais cheio de ação que o primeiro e que, além de tudo, já havia virado filme.
![]() |
| Jadis, a Feiticeira Branca |
Bem... a Lully ficou apaixonada pela história, especialmente pelas personagens femininas, e rolou uma forte identificação dela com Lucia, a mais novinha dos Pevensie. Para falar a verdade, em vários momentos saquei que ela "se imaginava" dentro da narrativa, chegando até mesmo a brincar de "Nárnia" com um colega na escola.
Acabei deixando "O Cavalo e seu Menino" para depois, pois os Pevensie apareciam muito pouco na história, que se passa durante a Era de Ouro de Nárnia. Essa minha atitude, embora bem intencionada, acabou sendo um erro, pois o livro é excelente (a Lully amou). Falo sobre ele depois, então.
Partimos para o "Príncipe Caspian" (que também virou filme) e descobrimos que, centenas de anos após o sumiço dos Pevensie no fim de "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa", Nárnia havia sido invadida pelos Telmarinos (habitantes de Telmar, um país a oeste de Nárnia).
![]() |
| Nárnia também é geografia, pessoal! |
Este livro foi particularmente difícil para a Lully, pois continha muitas descrições de viagens, o que tornou a história um tanto maçante para uma criança de 7 anos. Fora isso... é ação e aventura pra ninguém botar defeito (na minha opinião, o maior herói deste livro foi dúvidas o destemido ratinho Ripchip).
![]() |
| "Você é um homem ou um rato?" -- essa frase perde todo o sentido perante o valente Ripchip |
Percebemos que o filme da "Viagem" diverge bastante da obra original. Alguns eventos estão fora de ordem, outros elementos (como a névoa verde que faz as pessoas sumirem) foram acrescentados. A maior divergência foi a transformação de Eustáquio em dragão: no livro, a situação se resolve em poucas páginas, mas no filme a situação se estende por bastante tempo.
A super Lully amou a história de Liliandil, filha de Ramandu, uma estrela que desce à terra em forma de mulher e que acaba (mais tarde) se casando com o Rei Caspian.
Continuamos para, "A Cadeira de Prata", obra na qual um transformado Eustáquio retorna a Nárnia acompanhado por Jill Pole, sua colega de escola. Desta vez, a busca é pelo Príncipe Rilian, filho do Rei Caspian (agora um idoso, uma vez que o tempo em Narnia funciona de forma diferente que na Terra).
Infelizmente, não existe versão cinematográfica para esta obra, embora a BBC tenha feito uma mini série nos anos 90 (bem, tem no YouTube).
![]() |
| Um destaque para a versão da BBC é a presença de Tom Baker (Doctor Who) no papel de Brejeiro, o Paulama |
Em resumo: Manhoso, um macaco muitíssimo mal intencionado arranja uma pele de leão e com ela veste o inocente asno de nome Confuso. Com isso, o macaco quer que todos acreditem que Aslam voltou às terras de Nárnia, tornando-se um falso profeta. Após aparentemente serem mortos em um acidente de trem (sinistro...), nossos heróis retornam a Nárnia bem a tempo de presenciar o messiânico retorno do verdadeiro Aslam, dando um apoteótico final para a série.
Mas... e "O Cavalo e seu Menino"? Este eu havia deixado para depois, mas acabei me arrependendo: a história é simplesmente maravilhosa, e merecia com certeza um filme. A ação se passa na Calormânia, um reino desértico inspirado nos contos das mil e uma noites e situado ao sul de Nárnia e da Arquelândia.
Nessa linda história, conhecemos o órfão Shasta, criado na Calormânia como filho de um pescador. Ao perceber que seria vendido como escravo pelo próprio pai adotivo, o garoto foge para Nárnia na companhia de um cavalo falante chamado Brirri-rini-brini-ruri-rá (ou simplesmente "Bri", embora a Lully tenha feito questão de decorar o nome completo).
No caminho, ambos encontram a fugitiva Aravis, uma garota calormana de origens nobres que também foge rumo a Nárnia de modo a escapar de um casamento arranjado por seu pai. Coincidentemente, Aravis viaja acompanhada por Huin, uma égua falante narniana.
Apesar de se estranharem na maior parte do tempo, o quarteto passa por diversas aventuras até conseguir chegar às terras do norte (não vou dar spoilers para não ficar chato, mas na opinião da Srta. Lully, este é um dos melhores livros da série).
Conclusão: terminamos a leitura em 17 de setembro de 2018. Na verdade, ficamos com uma tristezinha que durou vários dias (colocar o livro na estante, por exemplo, foi quase uma cerimônia fúnebre).
A Lully queria que eu lesse tudo de novo para ela, mas a convenci que seria melhor partir para novas aventuras. De qualquer forma, nunca esqueceremos esses meses felizes em que fomos Rei e Rainha de Nárnia!








Nenhum comentário:
Postar um comentário