terça-feira, 9 de outubro de 2018

Destemida 1: Os Olhos do Dragão

Nesses anos de leitura diária em conjunto, percebi um padrão bem demarcado nas preferências literárias da Srta. Lully. Faz tempo que percebo o amor dela por personagens femininas fortes e decididas (bem, a própria Lully é uma pessoa de opiniões bastante fortes).

Ela também adora livros que tenham mapas nas primeiras páginas ("dá para acompanhar a viagem!") e ainda desenvolveu uma grande predileção pelo gênero de fantasia medieval (que para ela são contos de fadas para "gente grande").


Desta forma, o volume 1 da série "Destemida" me pareceu uma escolha óbvia para nossa próxima leitura.

Este livro chegou às nossas mãos há alguns anos juntamente com seus volumes 2 e 3. Na época, uma prima da minha esposa trabalhou temporariamente em uma livraria, de modo que nossas filhas foram (para minha felicidade) presenteadas com diversos livros bastante interessantes.

Bem... livro nunca é demais, não é mesmo?

Sobre a Autora: "Destemida"  ("Lily Quench") faz parte de uma série criada pela australiana Natalie Jane Prior, sendo a coleção completa composta por sete livros:
  1. Lily Quench and the Dragon of Ashby
  2. Lily Quench and the Black Mountains
  3. Lily Quench and the Treasure of Mote Ely
  4. Lily Quench and the Lighthouse of Skellig Mor
  5. Lily Quench and the Magicians' Pyramid
  6. Lily Quench and the Hand of Manuelo
  7. Lily Quench and the Search for King Dragon
Por curiosidade (li na minibiografia que consta no site da Amazon) Natalie nasceu em novembro de 1963, um mês cheio de acontecimentos interessantes, como:
  • A transmissão do primeiro episódio da série britânica Doctor Who (dia 14)
  • O assassinato do presidente norte-americano John Kennedy (dia 22);
  • A morte de nosso tão querido C. S. Lewis (também dia 22)
No Brasil, "Lily Quench" foi publicado pela Editora Fundamento (de Curitiba). Pelo que tenho notícia, por aqui foram lançados apenas os três primeiros volumes.

Criticas à Edição Brasileira: Quanto à versão nacional, faço quatro ressalvas:

* Primeiro: por qual motivo teria a Fundamento decidido mudar o nome da série para (o tão genérico) "Destemida"?

Não teria sido melhor traduzir literalmente o título?  No Brasil, "Lily Quench and the Dragon of Ashby" ("Lily Quench e o Dragão de Ashby") virou "Destemida 1: Os Olhos do Dragão".

Penso que a mudança de título foi desnecessária, para não dizer prejudicial, uma vez que o título perdeu bastante força na tradução.

* Segundo: outra coisa que me incomodou foram as traduções de nomes próprios. Não li o texto original, mas achei estranhos os nomes de alguns personagens quando vertidos para o português... coisas como "Molzinha" (Molly), Amoroso, Capitão Amaro,  (que, de acordo com com o que pesquisei, se chamava "Capitão Zouche").

E na Polônia, que Lily Quench virou "Mila Grom"?
Se bem que essa capa é linda!

* Terceiro: o que dizer dos... "garruchos"? No livro, existe uma fábrica que emprega boa parte da população pobre de Águas de Ashby, dedicada à produção de "garruchos". Como a Lully é curiosa e não se contenta com explicações simples, fui pesquisar esta palavra no dicionário.

O que encontrei foi "garruncho" (com "n" mesmo), um termo de náutica para uma espécie de mosquetão metálico utilizado para prender velas de navios.

Isto aqui é um Garrucho (ou "garruncho")
O livro, porém, dá a entender que os tais "garruchos" seriam anéis de metal, então fui pesquisar o texto original no "Google Books". A palavra original era "grommet", que pode ser traduzida para "ilhó".

Que garruchos que nada, o livro fala de ilhoses!

* Quarto: "Lily Quench" é uma série infantil, e originalmente foi ilustrada por Janine Dawson.

Além de atrair a curiosidade infantil, os desenhos (pelo que percebi pela Internet) dão um ar mais leve aos livros, que muitas vezes tratam de temas  um tanto sombrios (a morte de Úrsula Quench, por exemplo).

A capa original é bem menos séria...

Nossa leitura: começamos a ler o Volume 1 da série "Destemida" em 28 de setembro de 2018, logo após terminarmos "O Mágico de Oz".

A sinopse: alguns anos antes do início da história, a cidade fictícia de Águas de Ashby foi invadida pelo exército do Conde Negro. A monarquia local foi deposta, e no lugar onde funcionava o Jardim Botânico de Ashby foi instalada uma poluente fábrica de (odiei essa palavra) garruchos.

Quando um dragão faminto invade a fábrica, o governador da cidade (Capitão Amaro) manda convocar Lily, última descendente viva de uma família de matadores de dragões (os "Quench", outrora grandes colaboradores da família real de Ashby).

Uma curiosidade: o verbo inglês "to Quench" significa  "extinguir" (como alguém que extingue um incêndio, por exemplo). 

Retornando à história...  o tal "dragão", além de fêmea, era também uma ótima pessoa! Após fugir com Lily, a Rainha Dragão (ou "Virtuosa Fogofuscante", seu nome próprio) resolve ajudar a garota a encontrar o Príncipe Alvino e restaurar o reino de Ashby, depondo os homens do Conde Negro.

A Lully acompanhou a leitura com interesse.  Juntos, até mesmo tecemos breves comparações com "Príncipe Caspian" (de "As Crônicas de Narnia"), mais especificamente sobre a questão do reino de Ashby ter sido invadido por inimigos estrangeiros.

Também gostamos muito (muito, muito, muito) da Rainha Dragão! Quem em sã consciência não iria querer ter uma amiga como ela? A tão improvável amizade dela com Lily é uma das coisas que tempera e dá mais sabor a esta leitura.

Aliás... o simples fato de a protagonista "cavalgar" um dragão ativou em minha mente a memória do menino Atreyu voando no dorso de Falkor no filme "A História Sem Fim" (ei, esta pode ser uma ótima pedida de livro e filme para conferir com a Lully!).

A diferença é que a Rainha Dragão tem escamas, enquanto Falkor tem pelos!

Para encerrar, minha Lully se emocionou muito nas partes do livro que mencionam Úrsula Quench, a falecida avó da heroína.  Ela não me disse nada a este respeito, mas no ano passado prematuramente perdi minha mãe para uma leucemia. Será que minha pequenina não estaria se colocando no lugar da Lily nessa triste situação?

Sentir empatia por um personagem literário é sinal que o livro fala ao coração!

Minha conclusão: "Destemida" pode tranquilamente ser lido como iniciação à leitura (como é o caso da Lully), mas para leitores mais experientes muitos de seus personagens são tão "vazios" que mais parecem silhuetas recortadas em cartolina.

O livro diverte, mas as tramas se resolvem tão depressa e apressadamente que a história acaba perdendo muito da graça.

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